4.5.06
6.2.06
Orgulho pregiçoso

No fundo, eles têm orgulho em ser cães que se vestem de palavras. Palavras que ficam perdidas no ar onde o eco não chega.
E deixam-se vicar, vencidos pela vida, viciando-se nos lençois do tempo, minuto a minuto, segundo a segundo, competindo, disputando a imobilidade.
Quando olham para as suas mãos vêem nelas a vontade de ir além. Mas, as rugas lebram a todo o instante que a vida não foi feita para viver!
E deixam-se morrer dia após dia, à espera de uma alma gémea. De aguém que nem sequer sabem quem é.
Talvez a história da alma gémea não seja mais do que uma mentira que se inventou para que à noite possamos descansar sem a culpa que esmaga. As mãos continuam lá, a alma continua lá, o Homem continnua lá! Porquê a vontede de reclamar quando se continua no reino da preguiça orgulhosa de si?
Eles não sabem a resposta. Ninguém sabe. Mas também ninguém a procura. E por isso mesmo não dormem, não acordam, não vivem, simplesmente deixam-se estar orgulhosamente preguiçosos. Esperam por tudo mas no fundo não esperam por nada.
O mundo é construído por nós. Detentores de respostas, de perguntas, de vida. O mundo é nosso. Peço-te que pegues comigo no cimento e nos tijolos. Pegas? Vamos levantar-nos. Depois de me espreguiçar, erguerei os braços cansados da espera para criar algo novo e belo. Porque depois da morte, não sei o que vem. "É a hora!"
E como somos os nossos Deuses, e como mandamos em nós. Vamo-nos não só erguer, vamos ter orgulho em nós enquanto pessoas activas, e só teremos de ter preguiça de ser como aqueles preguiçosos que se sentam no leme de um país. Se não for o Homem a mexer-se quem se mexerá por nós?
Digo e repito as palavras do sábio: "É a hora!"
Vindo directamente das cabeças de OrgulhO e Preguiça
25.1.06
Impaciência
Aguardo, impacientemente, pelo autocarro que parece nunca mais chegar. Longos minutos depois estou à tua porta. Respiro fundo e toco à campainha. Entro e, enquanto ajeito o cabelo e verifico o batom no espelho do elevador, imagino-te atrás da porta a arranjar a roupa enquanto te perguntas porque o fazes se sabes que não vai durar nem um minuto…
Saio do elevador, tu esperas-me à porta. Apenas distingo os contornos do teu corpo na penumbra. Chego-me mais perto… “Boa noite”, e aquele sorriso… Entramos para a sala. Passo os dedos no teu cabelo enquanto te beijo. Saudade. A minha mão no teu ombro, os meus lábios no teu pescoço. Fecho os olhos, devagar. A tua barba na minha nuca, a tua mão no meu colo. Leveza. Bocas que se aproximam, línguas que se querem. Os teus dentes a arranharem o meu pescoço. Olhos que imploram, corpos que não se largam, lábios que suspiram lentamente. E nunca temos tempo de chegar ao quarto. Esta nossa impaciência…
19.1.06
Reino da Preguiça

Já em casa e perto da cama, pronto a consumir o pecado que me dá nome, a moça chama-me, tento resistir-lhe mas em vão, até na cama ficamos mas não consigo dormir. Mas o que se passa comigo? Se continuo assim sou expulso do inferno, ou pior, perco a vontade de dormir!
A moça adormece finalmente, e por azar olho para a televisão. Bolas! Está a dar aquele programa que tanto gosto. Mais uma hora acordado. O show acaba e preparo-me para dormir, mas tenho sede, vou beber um copo de água e ja venho dormir. Chego novamete à cama e a moça tinha acordado.
Mais uma vez precorremos todo o limiar da indecência, e eu ainda sem dormir.
Quem é o pecado mor? Aguém me diga por favor, estou sem dormir à muitas horas e ainda sou despedido!
Sinto-me deveras cansado, mas acho estranho que cada vez que a moça acorda perco todo o meu sono. Uma condição estranha para a preguiça mor, mas tenho de aceitar esta nova forma de vida, ou talvez não.
Finalmente a moça adormece mais profundamente e eu nem acendo a televisão, e tenho o copo de água na mesa de cabeceira. Fecho os olhos por um segundo e toca o telefone. Deixo-o tocar uma, duas e três vezes, tive de atender, era engano.
Parece-me que existem muitos preguiçosos neste país, que me querem destronar e em tempos eu chegava para eles, mas está a tornar-se muito difícil. Quero ser a preguiça mor, mas outras tentações parecem ser mais fortes. Hei-de lutar por este título, ou por outras palavras, hei-de dormir por este título.
A preguiça está aqui para dormir por todos vós...
9.1.06

Vi-te passar. Não fui atrás. Quando me tocaste, dei um passo atrás! Será que tu ainda estás aí? À minha espera! Eu queria tanto ficar...queria dizer-te todas as palavras doces que se enrolam na garganta e, que ainda assim continuam lá à espera que a tua língua lhes dê libertação. Queria tanto ficar... Mas, ele fala mais alto do que eu. Quando te quero estender a mão e pedir “fica”...oh...o meu corpo desmaia de palidez e sinto-me sufocar e sinto-me emudecer. Será que ainda sabes que te amo? Será que o meu olhar ainda te transmite alguma mensagem que navega perdida numa garrafa pelo mar fora?...Queria tanto ficar.... Eu tento, não penses que não tento mas, não consigo. Ainda com a cabeça junto a almofada e de olhos fechados, os meus pensamentos voam e trazem nas suas asas de papel o desejo de te bater à porta e sorrir-te um olá. Sim, eu podia ser a pele macia que te acaricia quando adormeces mas, ele estrangula-me a todo o momento...eu luto, não penses que não luto mas, todos os dias perco a guerra...se ao menos conseguisses ler-me e salvar-me...Queria tanto ficar, tanto, queria tanto....mas sempre que te olho e que os meus lábios se projectam para dizer “eu amo-te”, é então, que o meu deus vem e prende- me, amarra- me com as suas cordas feitas de palavras duras e cruéis... Orgulho é o meu deus e tu continuas a ser apenas o mortal que eu amo...
4.1.06
Posso ser sou eu!
O que mudou? Nada. De ti não mudou nada, o teu cheiro permanece entranhado na minha roupa. Continuas a circular nas minhas veias, como um poderoso veneno mortal. Algo que bebi, juntamente com a carne do teu corpo que saboreei pedaço a pedaço. Entre sonhos e verdades perco-me neste meu pecado, com a sensação de que não me consigo autosatisfazer. Tenho vontade de pecar algo para além de mim. Não, tenho vontade de pecar em toda a minha plenitude! 14.12.05
...cuidados faciais...
Há quem diga que somos maiores porque sabemos gritar, sabemos sonhar. Tudo verdade. Ponto final. Muda de parágrafo e conta-me o teu nome.
